18 Jun 2023 · Publicado às 11:30h · Blogue
Os jogos podem ser um passatempo agradável e estimulante para muitas pessoas, mas também uma estratégia de fuga dos problemas quotidianos, levando à negligência das relações interpessoais, dos deveres escolares ou profissionais, e até mesmo das necessidades fisiológicas básicas.
O jogo online cooperativo possui a capacidade de criar laços e de dar um sentido de pertença que nem sempre se encontra noutros contextos — o que explica, em parte, a sua força.
Jogar muito não é, só por si, um problema
A quantidade de horas, isolada, diz pouco. O que importa é o lugar que o jogo passou a ocupar: se continua a ser uma actividade entre outras, ou se passou a ser a actividade em torno da qual tudo o resto se organiza — e se, quando é interrompido, a reacção é desproporcionada.
Sinais a que vale a pena estar atento
- Perda de interesse por actividades que antes davam prazer
- Irritabilidade acentuada quando o jogo é interrompido ou limitado
- Dificuldade em cumprir o tempo que a própria pessoa definiu
- Descida do rendimento escolar ou profissional
- Sono insuficiente ou invertido, refeições saltadas, higiene descuidada
- Afastamento dos amigos e da família fora do ambiente de jogo
- Esconder ou minimizar o tempo passado a jogar
- Jogar sobretudo para escapar a mal-estar, tristeza ou ansiedade
O que podem fazer as famílias
- Falar antes de proibir. Perguntar o que o jogo tem de bom costuma abrir mais portas do que começar pela retirada.
- Acordar regras claras e possíveis. Horários definidos em conjunto cumprem-se melhor do que limites impostos de repente.
- Proteger o sono e as refeições. São as primeiras coisas a ceder e as que mais depressa agravam tudo o resto.
- Devolver alternativas. Retirar sem substituir raramente funciona; é preciso que exista outra coisa para onde ir.
- Estar atento ao que está por baixo. Muitas vezes o jogo é a solução encontrada para um problema anterior — ansiedade social, dificuldades escolares, solidão.
Quando procurar ajuda
Quando o jogo se sobrepõe de forma persistente à escola, ao trabalho, ao sono e às relações, e quando as tentativas de o regular em família falham repetidamente, uma consulta de psicologia ajuda a compreender a função que o jogo cumpre e a construir, com o próprio, uma forma diferente de a satisfazer.
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